Uma patriota sem país: a história de Marie Curie

Não sei se você sabe, mas ontem foi o dia nacional da ciência e do pesquisador científico. Eu separei este dia para escrever um pouco sobre a vida e o trabalho da maior cientista da história contemporânea: Marie Skłodowsk Curie.

Espero que sua dedicação à ciência e seu espírito livre sirvam de inspiração e que a luz única de Marie Curie ilumine nossa tragetória pelos desafios muitas vezes tortuosos e obscuros que a ciência enfrenta.

Sei que o email está extenso, mas é porque eu não consegui escrever menos sobre uma história tão incrível como a dela. Se você quiser pular a história, corre pro final do email pra ver a estampa nova junto com uma promo legal!

Educação é resistência: uma patriota sem país

A jovem Marie Skłodowska e sua família.

Os pais de Marie Curie eram professores em Varsóvia, atual capital da Polônia, que integrava o Império Russo desde o final das guerras napoleônicas no começo do século XIX. O envolvimento de seu pai com movimentos pró-independência fez com que perdesse sua posição como professor, deteriorando as condições financeiras da família. Isto não o impediu de dar uma boa formação aos seus filhos.

A educação básica em ciência de Marie Curie foi feita diretamente por seu pai, professor de física e matemática, que levava para casa instrumentos de laboratório após o Império Russo proibir o seu uso nas escolas da região.

Proibida de ingressar na universidade após se graduar no equivalente ao ensino médio, Marie e sua irmã se envolveram com a Universidade Volante: um projeto pró-independência que desafiava as autoridades russas, lecionando aulas noturnas em locais que mudavam a cada noite (daí o nome) para permitir o acesso das mulheres à educação superior.

Nesta época, surgiu a ideia das duas estudarem em Paris. Marie se tornou governanta e usou o dinheiro para financiar os estudos da irmã, que ajudaria Marie quando já estivesse estabelecida na cidade capital francesa. Marie seguiu com seus estudos de maneira independente neste período, lendo livros e trocando cartas com outros estudiosos da época.

Em busca de um laboratório, Marie encontrou o amor

Marie e Pierre Curie

Aos 24 anos, Marie finalmente havia juntado o suficiente para juntar-se à sua irmã e matriculou-se na Universidade de Paris, iniciando seus estudos de física, química e matemática. Marie lecionava durante a noite para se sustentar durante a graduação, fazendo render suas poucas economias. Após concluir a graduação em física, conseguiu um emprego num laboratório e uma bolsa de estudos para sua segunda graduação.

Contratada para estudar as propriedades magnéticas de diferentes tipos de aço, Marie conheceu Pierre Curie que gentilmente cedeu um espaço para ela em seu pequeno laboratório na Escola Superior de física e química industrial de Paris. Passaram a trabalhar juntos e dessa convivência e da paixão compartilhada pelas ciências naturais surgiu a paixão de um pelo outro.

Honrarias e tragédias

O casal Curie, como ficaram conhecidos, estudaram juntos as radiações emitidas pelos sais de urânio. O comportamento do mineral sugeria que outras substâncias deveriam existir em sua composição. A descoberta do casal Curie, batizada por eles de radioatividade, rendeu o prêmio Nobel de Física de 1903, tornando Marie Curie a primeira mulher da história a ser laureada. No mesmo ano, Marie concluiria seu doutorado em ciências.

O casal seguiu trabalhando continuamente suas técnicas para isolar os isótopos dos elementos que batizaram de rádio e polônio, em homenagem ao país que precisou abandonar, sem nunca patentear seus avanços porque queriam que toda a comunidade científica pudesse investigar as propriedades surpreendente dos novos elementos que descobriram.

A saúde de Pierre, no entanto, ia mal. Sua condição de saúde não o permitiu ir até a Suécia para dar a palestra e receber o prêmio pessoalmente, o que só pode fazer em 1905, quando iniciava sua recuperação. Na primavera seguinte, em 1906, sua saúde parecia melhorar e ele estava novamente animado para seguir com as pesquisas, mas quando caminhava do laboratório para uma biblioteca, durante um dia normal de trabalho, Pierre acabou sendo mortalmente atropelado por uma carruagem.

Apesar do luto, Marie continuou com sua pesquisa, tornando-se a primeira mulher a ocupar a cadeira de professora de Física Geral da Faculdade de Ciências da Universidade de Sorbonne. Em 1911, no mesmo ano em que foi rejeitada como sócia da Academia de Ciências de Paris, Marie Curie foi laureada com o prêmio Nobel de Química, tornando-se a primeira pessoa da história a receber duas vezes o prêmio e a única até hoje a recebê-lo em duas áreas científicas distintas.

Anos mais tarde, Marie iria fundar o Radium Institute, também conhecido como Instituto Curie, em homenagem a Pierre.

A única mulher na Conferência de Solvay.

Uma vida em raio-x

Durante a Primeira Guerra Mundial, Marie percebeu que o uso de raio-X poderia ajudar médicos a localizar ossos quebrados e projéteis alojados nos corpos de soldados feridos. Marie então convenceu diversas pessoas a venderem seus automóveis (bens de luxo na época) para financiar os aparelhos. Acompanhada de sua filha, na época adolescente, Marie foi até os hospitais militares improvisados no front de batalha e treinou os médicos para o uso dos sofisticados equipamentos de raio-x.

A exposição massiva à radiação ao longo de sua carreira, acentuada neste período, foi responsável pelas complicações de saúde que a levaram Marie Curie à óbito anos mais tarde, vitimada pela leucemia.

Legado atemporal

O notável legado de Marie Curie, no entanto, vai muito além das suas descobertas científicas. Ela demonstrou a importância da educação, principalmente na juventude, não só por sua história pessoal, mas também pela influência que teve nas pessoas ao seu redor.

O brilho inédito da descoberta da radioatividade por Marie Curie contagiou irremediavelmente as gerações que se seguiram. Seu papel na história da luta das mulheres por um espaço na academia e na ciência é simbólico e ela não só entendia a importância deste papel como agia para fazê-lo realidade.

Marie tinha o hábito de levar suas alunas para conhecer os laboratórios de pesquisa, demonstrando equipamentos e experimentos (o que até então era restrito aos garotos) e produzia seu próprio material didático.

Em parceria com outros cientistas, participava de um projeto que visava ensinar ciência aos seus filhos de forma prática e experimental. As próprias crianças conduziam experimentos, orientadas e supervisionadas pelos pais cientistas, buscando alimentar nelas a curiosidade e o desejo de investigar.

Marie Curie foi, afinal, a primeira mulher a fazer mutias coisas, mas certamente não foi a última. Seu legado segue vivo em cada mulher que estuda, pesquisa e dedica sua vida a ciência.

Um ano após a morte de Marie Curie, em 1935, sua filha Irène Joliot-Curie, a mesma que a acompanhou em suas expedições para ajudar soldados feridos durante a 1ª guerra mundial,  foi laureada com o Nobel de Química pela descoberta da radioatividade artificial, fazendo da família Curie a maior ganhadora da história deste prêmio.

Marie e sua filha Irène

Irène, assim como a mãe, faleceu vitimada pela leucemia. Hoje a filha de Irène e neta de Marie, Hélène Langevin-Joliot, é física nuclear e professora da Universidade de Paris. Seu irmão, Pierre Joliot, é bioquímico no Centre National de la Recherche Scientifique.

Se existe uma coisa que a ciência nos ensina é que a vida humana pode ser breve e passageira, mas o legado de cada pessoa se perpetua nas gerações seguintes.

A nossa homenagem

E, para completar esta pequena homenagem, estamos lançando uma estampa pra ela!

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Além disso, eu quero uma ajudinha de você: a Doppel defende que em todos os aspectos que representatividade é importante, e por isso, iremos lançar uma coleção só de cientistas mulheres.

O que vocês acham da ideia? O que mais podemos fazer para ajudar a aumentar a visibilidade das mulheres dentro das ciências exatas? Opine aqui nos comentários! É importante para nós.

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