O novo vaso sanguíneo

Imagine que dentro de cada um de nós existe uma rede secreta de vasos finíssimos, cujo papel é ajudar as células do sistema imunológico e do sangue a se espalharem pelo nosso sistema rapidamente. E foi exatamente isso que pesquisadores alemães descobriram neste ano: Um circuito sanguíneo escondido dentro de nossos ossos.

Tíbia do rato analisada no estudo (Foto: Grüneboom et al./Nature Metabolism/YouTube)

Tíbia da perna do rato que foi analisado.

Matthias Gunzer, imunologista da Universidade de Duisburg-Essen e especializado em moléculas, comenta o quão inesperado é encontrar uma estrutura anatômica nova e central que ainda não havia sido descrita em qualquer livro até hoje. Chamando a disposição encontrada de Vasos Transcorticais, ou TCVs (em inglês), elas poderiam ajudar a explicar a eficácia dos remédios de emergência, muito usados em guerras ou acidentes quando não há tempo ou estabilidade do paciente para encontrar veias: tais substâncias, aplicadas em injeções diretamente na medula óssea, poderiam ser transportadas com eficácia e agilidade para o resto do corpo devido aos Vasos recém-descobertos.

Até então, sabia-se da eficácia do método, mas faltavam evidências de como funcionava o complexo sanguíneo dentro dos ossos. “Os mecanismos moleculares e a anatomia funcional de como ocorriam as mudanças de células e líquido da medula óssea para a circulação continuavam apenas imaginários”, diz um dos autores da pesquisa, publicada na Nature Metabolism.

Como tudo começou

O imunologista Gunzer passou muito tempo estudando sobre camundongos: ele observava suas células sanguíneas fluorescentes com um microscópio, até se deparar com um vaso específico que parecia estar saindo de dentro de um osso. Ao pesquisar sobre o achado, não encontrou nada relacionado nos livros da área. Foi aí que decidiu fazer uma análise mais profunda.

Usando o cinamato de etilo (uma substância química)  na tíbia de ratos, os médicos puderam limpá-la e fazê-la ficar transparente. Então, combinando a microscopia de raios-X e a de fluorescência de lâminas de luz (LSFM), eles conseguiram observar vários conjuntos de vasos TCVs pela primeira vez, passando pela camada cortical do osso. Investigando ainda mais, concluíram que poderiam existir mais de mil desses vasos apenas na tíbia do camundongo, e que o fluxo de sangue nas pequenas veias era muito alto: Por ali passavam 80% do sangue arterial e quase 60% do venoso.

Fig. 1

Fotos das análises realizadas em microscópio, evidenciando os pequenos e novos vasos.

Ao examinar a anatomia de exemplares humanos usando como base a mesma imagem da tíbia na perna do roedor, a equipe de Gunzer conseguiu indicativos do mesmo tipo de vasos TCVs, com a diferença de que, nos humanos, as estruturas eram mais espessas.

Porém, ainda há muito para descobrir. Gunzer afirma que ainda precisa analisar melhor o arranjo de vasos para confirmar sua função exata. A expectativa é que o achado seja um marco para melhorar a compreensão sobre lesões nos tecidos, doenças inflamatórias e como funcionam o fluxo sanguíneo real e as migrações celulares ali. Muitas patologias ósseas estão diretamente associadas a esses vasos, então entender sua função pode trazer novos métodos de tratamento ou até mesmo novas curas.

Fonte: Galileu

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