Seria esta a rocha mais velha da Terra?

Essa é a primeira descoberta do gênero feita pela humanidade. 

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Batizada de 14321, essa é a rocha que os cientistas acreditam ter se formado na Terra.

Um estudo publicado na revista Earth and Planetary Science Letters informou que uma das rochas coletadas na missão Apollo 14 em 1971 contém um fragmento da antiga crosta da Terra, com cerca de 4.011 bilhões de anos de idade. Este seria um achado inédito sobre uma das rochas mais intactas e preservadas, dentre as encontradas na Lua.

Os autores do estudo acreditam na probabilidade de a pedra ter sido formada na superfície da Terra, mas ter sido lançada à Lua quando algum dos diversos meteoros que bombardeou a Terra na época dos dinossauros atingiu o planeta. Também é possível que o fragmento tenha se formado em um bolsão de magma e água no interior da Lua antiga.

Duas técnicas observam um meteorito vindo da lua, cujo tamanho é maior que uma cabeça média humana. A rocha foi batizada de 14321 e foi encontrada durante a missão Apollo 14.

Se for mesmo originário da Terra, este será o fragmento de rocha mais antigo já encontrado de nosso planeta. Antes dele, o posto de mais velho iria para os zircônios de Jack Hills, na Austrália, que datam de até 4.4 bilhões de anos. Entretanto, até mesmo este local é alvo de controvérsias, contendo apenas restos de rochas que desintegraram há muito tempo – cristais isolados, sem coerência definida no ambiente. Já este fragmento da Apollo 14 é muito maior e mais preservado.

O achado é um complemento para o legado científico da missão espacial, e ainda posiciona a Lua como uma arquivista-chave do sistema solar. Devido à sua estrutura geológica inativa, nosso satélite é capaz de registrar em sua superfície o histórico das colisões ocorridas desde os primórdios do Sistema Solar; isso inclui fragmentos que estacionaram ali vindos de outros planetas durante as colisões espaciais. Os cientistas acreditam que até 0.5% dos detritos encontrados na superfície da lua tenha se formado em outros planetas, tais como a Terra, Vênus e Marte.

Alan Shepard regitrou a 14321 pouco tempo antes de coletá-la.

Caso a rocha da Apollo 14 seja realmente terrestre, será a primeira do tipo a ser estudada pelos cientistas.

“Se isso for verdade, é uma descoberta fascinante”, diz Cornelia Rasmussen, pesquisadora da Universidade do Texas em Austin, especialista na química das crateras da Terra formadas por colisões. Ela diz que não há outros registros de rochas dessa época da terra, o que abriria novas possibilidades de estudo.

Indo mais longe

A pedra, batizada de 14321, é uma das maiores coletadas por Alan Shepard , pesando quase 9 quilos. Seu tipo rochoso é a breccia, uma espécie de pedra formada da fixação de diversos pedaços de rochas diferentes e mais antigas. A maioria de seus componentes, os clastos, possui uma cor escura; mas uma parte possui uma área estranhamente reluzente, tendo composição similar aos granitos terrestres. A fim de descobrir a origem dessa parte “esquisita” da 14321, a equipe de Bellucci realizou uma amostragem na rocha focada nos zircônios, minerais que ficam mais em seu interior e são mais resistentes e rígidos. “O zircônio é um bom ponto de partida quando se procura um processo geológico mais antigo”, diz David King, cientista sênior do Lunar and Planetary Institute.

Sua origem provavelmente se deu na área da cratera Imbrium, uma das grandes manchas negras localizada em um dos lados da Lua, onde o impacto de aterrissagem da Apollo 14 fez soltar fragmentos de rochas da superfície.

Ao analisar os zircônios e o quartzo da rocha, descobriu-se que o clasto díspar teria se formado em condições bastante peculiares, considerando a atmosfera na Lua naquela época. Para começar, os zircônios se estabeleceram em magmas ricos em oxigênio que deveriam ser bem mais gelados que os magmas normais do satélite. Em segundo lugar, esse pedaço peculiar poderia ser formado apenas em áreas sob pressão abaixo de 160 quilômetros da superfície da Lua. A colisão da Apollo 14, entretanto, não atingiu o solo da Lua além de 72km de profundidade. Se a rocha se formou em um lugar tão abaixo do solo, como ele poderia ter chegado até a superfície?

Logo, faria muito mais sentido se o claustro tivesse sido formado na Terra. A apenas 19 quilômetros abaixo da superfície do nosso planeta, os tais magmas já contêm níveis de pressão, temperatura e oxigênio capazes de formar o clasto diferenciado. Ao montar um gráfico que comparava os zircônios da Terra com os da Lua, as semelhanças então se tornaram evidentes.

Atrás de mais indícios

É preciso fazer mais testes com os exemplares para confirmar a interpretação da equipe científica. Também foi levantada a questão: Que outras rochas lunares do nosso acervo teriam parte composição concebida na Terra?

Amostras mais novas e recentes da Lua também poderão auxiliar nesta empreitada. A missão chinesa Chang’e-5, por exemplo, pode servir como fonte de mais material, adicionando outras rochas à já fundamentada 14321 da Apollo. Esperamos saber cada vez mais do planeta Terra em novos retornos da Lua, então.

Fonte: National Geographic

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