Ratos ficam violentos ao carregar anticorpos de criminosos

Cientistas noruegueses extraíram anticorpos de 16 condenados que cumpriam pena por uma série de crimes e os injetaram nos roedores, detectando interrupção no hormônio responsável pelo controle de estresse.

Após serem injetados com anticorpos de condenados por crimes, ratos de laboratório tornaram-se mais agressivos

Um novo estudo realizado por cientistas noruegueses levantou informações surpreendentes acerca de ações violentas e comportamentos condicionados. Após injetarem anticorpos extraídos do sangue de pessoas condenadas por grandes crimes de violência em ratos de laboratório, pesquisadores do Hospital Universitário de Akershus, em Oslo, identificaram mudanças expressivas nos roedores, que passaram a atuar de forma agressiva.

A equipe extraiu anticorpos de 16 condenados que cumpriam pena por uma série de crimes e os injetaram em ratos de laboratório. A partir de então, foi detectada a interrupção do hormônio adrenocorticotrófico (ACTH), responsável por estimular a liberação de cortisol, que controla os níveis de estresse no organismo.

A equipe ressaltou que, após terem a substância injetada em seus organismos, os roedores passaram a se comportar de forma violenta, atacando uns aos outros em períodos menores de tempo do que os observados anteriormente. Para os cientistas, isso evidencia as variações causadas pelos anticorpos, que aumentou os estímulos de agressividade e estresse no sistema dos animais.

Mudanças de comportamento nos ratos de laboratório

Ainda no comportamento reacional dos ratos ao experimento, foi identificada a defesa dos seus territórios por meio de atos físicos mais bruscos. Porém, os especialistas não garantem que as atitudes de proteção tenham sido intensificadas pelas substâncias injetadas nos animais.

“A implicação era descobrir se esses anticorpos podem diferenciar os humanos entre violentos e pacíficos, e talvez revelar um dos motivos pelos quais as pessoas desenvolvem um comportamento tão agressivo em determinados casos”, explicou o pesquisador Sergueï Fetissov ao The Times . “Mesmo com o experimento e com a mudança drástica de comportamento dos camundongos, não podemos afirmar se a substância por si só é a responsável”, afirmou.

Dos dezesseis detentos incluídos neste estudo, 11 cometeram pelo menos um assassinato, quatro foram julgados por violência física e sexual, e grande parte estava cumprindo penas de longo prazo, a maioria em detenção preventiva. Além disso, nenhum deles apresentou doenças mentais consideradas graves.

Segundo os cientistas, a pesquisa terá continuidade. Dessa vez, ela contará com uma amostra de anticorpos maior. “Queremos entender melhor esse fenômeno que se propagou nos ratos de laboratório , além de levantarmos dados mais concretos, mostrando como muitos indivíduos possuem essas substâncias, mas não se comportam com agressividade”, concluiu.

Fonte: Último Segundo – iG

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