12 fatos sobre Ötzi, o Homem de Gelo

5.300 anos depois de sua morte, os restos preservados de Ötzi continuam a revelar novos segredos da história inicial do homem

Otzi the Iceman

Uma recriação forense de Otzi, da aparência que ele pode ter tido na época de sua morte em 3300 A.C.

 

Em 1991, um grupo de exploradores que caminhava pelos Alpes de Ötztal, na fronteira austro-italiana, encontrou o cadáver mumificado de uma pessoa meio sepultada no gelo. Como o achado estava a uma altitude de 10.530 pés, o grupo inicialmente suspeitou que os restos pertenciam a um alpinista perdido. Oficiais locais levados para examinar a cena ainda pensaram na possibilidade de que fosse o corpo de um soldado italiano perdido durante uma das Guerras Mundiais.

Somente depois que os arqueólogos tiveram a oportunidade de examinar Ötzi (assim chamado devido à cordilheira onde foi descoberto), a surpreendente verdade de sua época veio à tona. Usando datação por radiocarbono, os cientistas determinaram que ele havia morrido nos Alpes uns impressionantes 5.300 anos antes. A preservação do bolso de gelo em que ele caiu era tão completa que seu cérebro, órgãos internos, pênis, pêlos pubianos e um de seus globos oculares estavam completamente intactos.

Desde a sua descoberta, Ötzi tornou-se uma verdadeira celebridade do mundo científico – fornecendo insights importantes e despertando suposições sobre o mundo antigo. Abaixo estão alguns dos segredos que os pesquisadores descobriram analisando o Homem de Gelo, suas posses e as circunstâncias que cercam sua morte incomum.

1 – Ele viveu durante o 4º milênio A.C.

Cientistas analisaram amostras de ossos e tecidos de Ötzi e descobriram que ele provavelmente morreu em um espaço de tempo entre 3239-3107 A.C. , com a idade de 45 anos. Este período de tempo é categorizado como o neolítico tardio, notável por  invenções como a roda, a ascensão da agricultura, matemática e da astronomia.

2 – Ele tinha um extenso kit de ferramentas

ferramenta de lança de gelo
Em 2018, os pesquisadores publicaram uma análise detalhada das ferramentas descobertas ao lado do corpo de Ötzi. Um punhal, duas pontas de flecha, um raspador (usado para esculpir extremidades), uma broca, um pequeno floco e um retocador de chifre eram feitos de uma rocha escura, opaca, baseada em sílica, chamada sílex ou relacionada à formação do sílex. Por meio de análise de CT e análise de uso de desgaste, os pesquisadores determinaram que Ötzi não tinha acesso a muitos sílex e, portanto, a maioria de suas ferramentas estava desgastada e foram constantemente afiadas novamente ao longo do tempo, em vez de serem substituídas.

“Evidentemente, Ötzi não teve nenhum acesso a pedras Cherte por algum tempo, o que deve ter sido problemático durante seus últimos dias agitados, impedindo-o de consertar e integrar suas armas, em particular suas flechas. Ferramentas de lâminas recentemente modificadas sem qualquer desgaste sugerem trabalho planejado que ele nunca realizou, possivelmente impedido pelos eventos que o fizeram voltar para as montanhas, onde ele foi morto por um arqueiro alpino do sul “, observa o estudo.

O estilo e os materiais usados ​​para fazer suas ferramentas vêm de pelo menos três áreas diferentes na região Alpina do Sul e refletem a cultura dos Horgen do norte da Itália e da Suíça, o que mostra que ele interagiu com outras pessoas transalpinas.

3 – Sua última refeição revelou a época do ano em que ele morreu

Devido às incríveis propriedades conservantes do gelo, os pesquisadores puderam analisar uma porção do estômago e do intestino delgado de Ötzi para revelar as últimas refeições que ele comeu antes de sua morte. Aproximadamente oito horas antes do seu falecimento, eles descobriram que ele havia consumido uma refeição de grãos de einkorn (tipo de trigo) e uma mistura de veado e carne de cabra cozidos. Um estudo do estômago em 2011 mostrou que, duas horas antes da morte, ele comeu outra refeição de íbex, espécie de cabra selvagem, e ainda mais grãos. Outro estudo realizado em 2018 revelou que ele tinha uma alta proporção de gordura em sua dieta que era suplementada com carne silvestre fresca e seca, cereais e um tipo de samambaia tóxica.

Misturado com esses alimentos também havia uma pista importante sobre a época do ano em que Ötzi faleceu. Os pesquisadores há muito tempo haviam teorizado que ele havia ficado preso em uma tempestade no final do verão nas montanhas, mas a descoberta de pólen proveniente das árvores de lúpulo dentro de seu estômago mudou tudo. As espécies, que provavelmente cresceram no vale abaixo do local de repouso final de Ötzi, florescem apenas entre março e junho.

4 – Ele carregava um kit de medicina primitiva

O kit de primeiros socorros Iceman

Encontrados nos restos da roupa de Ötzi, havia dois pedaços de fungo de bétula em tiras estreitas de couro. O fungo, que inclui compostos anti-inflamatórios e antibacterianos, foi altamente valorizado por suas propriedades medicinais. É também altamente tóxico para vermes como o Trichuris trichiura, um parasita descoberto por pesquisadores no cólon de Otzi. De acordo com a Science Know How , o fungo de bétula consumido por Ötzi teria “matado pelo menos alguns dos parasitas intestinais e removido os ovos de seu organismo”.

É considerado pelos cientistas como o mais antigo kit de medicamentos já descoberto.

5 – Seu machado de cobre era extremamente bem feito

Até a descoberta de Ötzi e seu belo machado de cobre preservado, supunha-se que a humanidade em 3500 A.C. ainda não dominara a tecnologia para forjar tais ferramentas. Feito de Teixo (uma espécie de árvore) e contendo uma lâmina de quase cobre puro de 9,5 centímetros, o machado era provavelmente uma arma e também ferramenta para derrubar árvores. Como você pode ver no vídeo acima feito pelo sobrevivente Shawn Woods, criar tal ferramenta não é fácil. Como muitos pesquisadores teorizaram, era provável que fosse um item raro – e altamente valorizado – no final do período Neolítico.

6 – Ele podia estar fugindo

Enquanto os cientistas não têm certeza das circunstâncias exatas em torno da morte de Ötzi, as evidências físicas deixadas para trás trazem uma conclusão violenta.

Pesquisadores que examinaram as feridas em seu corpo descobriram profundos cortes em sua mão que provavelmente ocorreram em combate, horas ou dias antes de sua morte. Eles também descobriram uma flecha de sílex alojada em seu ombro esquerdo; uma ferida tão grave que cortou uma artéria principal e causou um sangramento em questão de minutos. Finalmente, em 2013, pesquisadores que estudaram uma tomografia computadorizada do cérebro de Ötzi encontraram evidências de um golpe fatal na parte de trás de sua cabeça. Eles não têm certeza se esse ferimento foi causado por uma queda após ser atingido pela flecha (um desmaio, por exemplo) ou por um incidente separado.

7 – Ele foi bastante tatuado

Tatuagens Ötzi

Em 2015, os pesquisadores realizaram um registro completo das tatuagens de Ötzi usando novas tecnologias de imagem e descobriram 61 marcas distintas. Como as marcas estão concentradas em torno das articulações e da parte inferior das costas, provavelmente criadas cortando a pele e esfregando o carvão, teorizou-se que elas podem ter sido uma forma de terapia. De fato, muitos acreditam que as marcas de Ötzi são evidências de uma forma precoce de acupuntura .

8 – Ele pode ter tido a doença de Lyme

Uma pista sobre o por que de Ötzi ter procurado tratamentos de acupuntura como a pintura em suas juntas? Ele provavelmente teve a mais antiga infecção conhecida da doença de Lyme.

Uma análise completa do DNA de uma amostra do osso do quadril de Ötzi feita em 2012 revelou material genético da bactéria responsável pela doença de Lyme. Transmitida por carrapatos infectados, a doença pode causar dores articulares recorrentes, dores de cabeça e fadiga. O exame de DNA também revelou que ele tinha olhos castanhos, cabelo castanho, era intolerante à lactose e tinha sangue tipo-O.

9 – Sua roupa reflete uma vida de agricultura e pastoreio

Sapatos Otzi

Pesquisadores publicaram recentemente um artigo na revista Scientific Reports detalhando de onde vieram as várias peças de vestuário encontradas com Ötzi. Estes incluíam um chapéu feito de um urso marrom, cadarços de couro de vaca, leggings de pele de cabra e um casaco feito de uma mistura de peles de ovelhas e cabras. O estilo e a funcionalidade das várias peças de vestuário mostram que Ötzi era potencialmente um fazendeiro ou um pastor de animais. Como a roupa mostrava sinais de retalhos e reparos, ele também pode ter sido qualificado como um “alfaiate oportunista”.

“O estilo neolítico da Idade do Cobre de fazer couro era muito primitivo, então a roupa teria se decomposto e degradado rapidamente em circunstâncias normais”, disse Niall O’Sullivan, primeiro autor da pesquisa do Institute for Mummies and the Iceman. “Então ele teve que mudar rapidamente de roupa e provavelmente estava constantemente renovando suas vestimentas e refinando-as para que os pedaços não se desfizessem.”

10 – Sua preservação extrema foi pura sorte geográfica

Otzi

Quando Ötzi morreu há mais de 5.000 anos, seu corpo caiu em um pequeno barranco cercado por grandes rochas. Essa depressão, perpendicular à geleira de Niederjoch, provavelmente se encheu de neve imediatamente após sua morte, preservando o corpo e os artefatos de predadores e ladrões. À medida que a geleira se movia sobre o barranco, as grandes rochas impediam que sua base perturbasse Ötzi, permitindo-lhe descansar por séculos sepultado em gelo sólido.

11 – Ele tem parentes vivos

Mais de 5.000 anos após sua morte, os descendentes de Ötzi ainda estão muito vivos. Pesquisadores que estudam o DNA do Home de Gelo descobriram uma rara mutação no cromossomo Y conhecida como G-L91. Quando compararam esse resultado com quase 4.000 amostras de sangue doadas por pessoas que moravam na Áustria, encontraram 19 homens com a mesma mutação que viviam não muito longe de onde Ötzi foi descoberto.

“Esses homens e o Homem do Gelo tinham os mesmos antepassados”, disse o cientista forense Walther Parson em um anúncio de 2013 à Agência de Imprensa Austríaca. Os pesquisadores, suspeitando que muito mais pessoas compartilham a ancestralidade com o Homem do Gelo, vão expandir suas pesquisas para doadores de sangue que vivem na Itália e na Suíça.

12 – Você pode visitar seu antigo túmulo

Quer experimentar por si mesmo o lugar onde Ötzi descansou por mais de 50 séculos? O escritório de turismo de Val Senales oferece nas terças-feiras uma visita guiada por um dia à encosta alpina onde Ötzi foi descoberto. Nenhuma experiência de montanhismo alpino – ou leggings de pele de cabra – é necessária.

Fonte: MNN

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