Crânio de Luzia, fóssil humano mais antigo das Américas, é encontrado após incêndio do Museu Nacional

Partes do crânio de Luzia encontradas sob os escombros do Museu Nacional Foto: Gabriel de Paiva / Agência O Globo

A equipe de pesquisa do Museu Nacional encontrou o crânio de Luzia, o fóssil humano mais antigo das Américas. O anúncio foi feito no início da tarde da última sexta-feira por Cláudia Rodrigues, profissional da equipe de escavamento da instituição, bastante acidentada após o fogo do dia 2 de setembro. Segundo ela, porém, o fóssil sofreu alterações decorrentes do incêndio que devastou a maior parte do acervo de 20 milhões de itens do museu.

“Nós conseguimos recuperar o crânio de Luzia. É claro que, em virtude do acontecimento, sofreu algumas alterações, tem alguns danos. Mas nós estamos comemorando” disse Cláudia, que também é uma das professoras que integram o Museu Nacional. “O crânio foi encontrado fragmentado, e a gente vai trabalhar na reconstituição. Pelo menos 80% dos fragmentos foram identificados” disse.

Segundo a professora, o crânio foi encontrado há alguns dias e está em melhores condições do que se imaginava.

O crânio se encontrava em uma caixa de metal dentro de um armário em uma posição que era já planejada para qualquer situação de sinistro. Foi o que acabou salvado Luzia, uma das peças mais importantes do acervo de 20 milhões de itens. “Mas o material ósseo tem um limite de resistência e Luzia é mais frágil que o normal, mas todas as medidas acabaram garantindo uma possibilidade de restauração. A proteção não foi 100% eficaz, mas de certa forma ajudou”, afirma a antropóloga.

O crânio de Luzia, que estava no Museu Nacional: fragmentos encontrados serão submetidos a exame Foto: Marizilda Cruppe / Agência O Globo - 03/07/2003

Buscas por Luzia

Desde o incêndio, funcionários do museu e a comunidade científica estão mobilizados em busca de Luzia, como foi batizado o crânio da mulher que viveu há mais de 11 mil anos. Já se sabe que toda a coleção egípcia, um dos símbolos da instituição, virou cinzas. As coleções de vertebrados, invertebrados e insetos foram preservadas.

Fora do palácio imperial, uma pequena parte de um acervo de 20 milhões de itens, acumulados ao longo de 200 anos pelo principal centro de pesquisas da América Latina, permanece intacto: 550.000 amostras de plantas, um setor de animais vertebrados com 460.000 lotes, uma biblioteca central com 500.000 títulos —e 1.560 obras raras—, e um anexo subterrâneo que abriga 100.000 lotes de animais invertebrados. Trata-se de 1,6 milhão de itens que o Museu Nacional já contam para a sua reconstrução. Também há esperança no departamento de geologia e paleontologia, onde armários de aço, caixas e cofres especiais podem ter conservado parte do acervo. Em um desses recipientes se encontrava o crânio de Luzia, encontrado pela primeira vez na década de 1970 em Minas Gerais.

“Se nós tivéssemos resgatado só uma peça nos escombros já teria sido bom. Mas agora que encontramos Luzia, tamos ainda mais esperanças de encontrar outros itens que são ainda mais resistentes”, afirma Cláudia.

As coleções de arqueologia e antropologia biológica do Museu Nacional perderam outras peças importantes. O fogo destruiu itens remanescentes de povos botocudos e guajajaras, vítimas de genocídio pelos brancos. Levou também os de culturas pré-históricas dos sambaquis do litoral, em especial os do estado do Rio.

Fragmentos de dinossauro encontrados

45 dias depois do incêndio transformar em cinzas o Museu Nacional, outra notícia tinha animado os funcionários: pesquisadores encarregados de vasculhar os escombros em busca de material que tenha escapado das chamas encontraram restos de um dinossauro. Os fragmentos ainda precisam passar por uma análise detalhada.

Uma das hipóteses é que eles sejam do Maxakalisaurus topai , um gigante herbívoro que media 13 metros e vivia na América do Sul há 80 milhões de anos. O animal era o destaque da sala dos dinossauros da instituição, que tinha em exibição também um exemplar de um carnívoro, Angaturama limai, e uma réplica do maior réptil voador da América do Sul, o Tropeognathus mesembrinus.


Fonte: O Globo e El País

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um site ou blog no WordPress.com

Acima ↑

%d blogueiros gostam disto: